Alex Rodrigues Silvestre é Técnico Agropecuário, Graduando em Medicina Veterinária na UNA Bom Despacho, com contribuição de Guilherme Resende de Oliveira, Coordenador do Movimento Agro, formado em Técnico Agropecuário no IFMG em Bambuí e graduando em Administração de Empresas pela Fasf Unisa.

Olá amigos. Queremos lhe trazer uma reflexão sobre adubação de pastagem. Realmente compensa adubar as pastagens?

Mitos e verdades sobre adubação de pastagem são constantemente discutidos, inclusive por nós aqui do site e no canal no YouTube, aliás essa é uma técnica introduzida no Brasil desde as décadas dos anos 70 (Moacir Corsi, Vidal Pedroso), e mesmo com o passar dos anos, existe uma grande resistência sobre o conceito da utilização da pastagem intensiva, onde produtores e técnicos introduzem a tecnologia de maneira equivocada em determinado sistema de produção, dessa forma não atingindo bons resultados.

Sabemos que uma das fontes de alimento com custo mais baixo que temos dentro de uma fazenda de leite é a pastagem. Mas será isso uma verdade? 

Adubar pasto não é simplesmente jogar adubo e pronto; temos que conhecer a forragem e suas limitações, assim como sua exigência e também seu manejo, para que possamos aproveitar ao máximo da sua produção e consequentemente sua lotação com o maior número de animais possíveis por hectare.

Em relação ao planejamento de implantação de sistemas de pastejo rotacionado é importante muita análise antes de uma definição. Recomenda-se inicialmente o dimensionamento de áreas menores, ou seja, nunca inicie a construção de áreas de pastejo rotacionado para todo o seu rebanho. Lembre-se, o aprendizado é importante no começo e irá definir os caminhos que o produtor irá seguir posteriormente. Para ficar claro, imagine um rebanho de 50 vacas em lactação, faça um sistema de pastejo rotacionado para 25 vacas e aproveite para aprender. Mais à frente em parceria com seu técnico defina pela implantação de outros sistemas ou não. E as outras vacas? O que fazer com elas? Nada. Faça aquilo que você já estava fazendo.

Com módulos de piquetes menores fica mais fácil corrigir os erros para depois abrir outros módulos de acordo com divisão dos lotes das vacas na produção do leite.

Mas quanto custa adubar uma pastagem e intensifica-la? Vamos te mostrar na prática agora o exemplo de uma fazenda que assistimos no projeto Balde Cheio em Luz, que possui uma área de 1 hectare de capim mombaça e atualmente com uma lotação de 10 UA/ha. Essa área não possui irrigação, portanto é uma área de sequeiro (depende apenas das chuvas) e as recomendações foram de acordo com a análise de solo.

Veja abaixo no quadro o resumo das recomendações do técnico. Aplicação de 2 toneladas de calcário, 500 kg de adubo Super Fosfato Simples (fonte de fósforo), 200 kg de adubo Cloreto de Potássio (fonte de potássio) e 50 kg de adubo Micronutrientes. Além disso a Uréia (fonte de nitrogênio) é usada em aplicações diárias após o pastejo dos animais. O cálculo de nitrogênio segue a regra de 50 kg/ha/vaca/ano. Diante disso chegou a importância de 1 tonelada em 1 hectare.

Os preços seguem a cotação no dia em que esse artigo foi escrito, realizando a cotação numa cooperativa de produção agropecuária de atuação em nosso município.

São considerados ainda em áreas de sequeiro, um período de utilização da pastagem intensiva de 180 dias (média do período das chuvas).

Agora vamos para a parte prática. Todas as despesas inerentes as adubações ficaram em R$ 4.330,00. Vamos dividir esse valor por 180 dias e sem seguida dividir pelas 10 vacas que estão comendo na área e por fim dividir pelo preço do leite recebido para se ter ideias de quantos litros são necessários para pagar as despesas com a adubação. Consideramos ainda o preço do leite a R$ 2,10 por litro.

Cálculo

R$ 4.330,00 / 180 dias = R$ 24,05 / dia

R$ 24,05 / 10 vacas = R$2,405 / vaca / dia

R$ 2,405 / R$2,10 = 1,14 litros de leite / vaca / dia

Conclusão

Compensa sim, adubar pasto! No exemplo acima, o qual retrata fielmente o que está sendo feito na propriedade citada, são necessários 1,14 litros por vaca por dia para pagar as despesas referentes a adubação. Imagine agora suas vacas, comendo uma pastagem de qualidade com um custo muito baixo. O maior desafio na atividade leiteira, diante de sua complexidade é a redução de custos, infelizmente o produtor não vende leite, ele “entrega” o leite, por não saber quanto vai receber e a redução de custo é o maior objetivo de qualquer fazenda.

As vacas no sistema de pastejo nessa área de 1 hectare de capim mombaça estão com média de produção de 16,5 litros por dia, portanto é preciso retirar apenas 1,6 litros para pagar todo o custo de adubação, por vaca.

Ainda vale lembrar que um pasto bem adubado e manejado possui altos valores de proteína bruta o que significa uma suplementação com ração de menor custo (diminui farelo de soja na ração, a qual possui maior custo).

Recomendação

Comece hoje mesmo! Não saia do simples! Procure conhecimento ou um técnico que possa lhe orientar no planejamento e nas decisões.